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Crítica: 2x08 de The Walking Dead


Crítica Por: Pedro

A série retorna do exato momento em que parou no ótimo sétimo episódio: Rick com a arma em mãos enquanto Sophia jaz morta no chão. A partir desse momento todos sabíamos que haveria o momento de choradeira por parte de alguns personagens e acusações por parte de outros. Shane acusando Hershel, Dale acusando Shane, o grupo dividido entre aqueles que acham Shane certo ou errado. E nada disso foi imprevisto, depois da tensão do episódio passado, The Walking Dead tende voltar para o seu comum e reapresentar as relações entre personagens. E fez isso de forma muito eficiente.

Ainda na primeira cena, uma garota vai abraçar a mãe zumbi que ainda estava viva, esquecendo uma das regras mais básicas de Columbus em Zumbilândia: na duvida, não economize balas e de dois tiros antes de sair abraçando zumbis. Isso teria tornado a vida de todo mundo muito mais simples, pois essa garota entrou em choque, causando a ida de Lori até a cidade e seu acidente de carro. Foi uma boa justificativa para por Lori na estrada? Não, nem de perto, principalmente depois de todo o discurso de se colocar em risco pelos outros.  Além disso, essa mesma menina loira é uma evidência do problema demográfico da fazenda de Hershel, aonde surgem pessoas dependo da necessidade dramática. Isso, por si só, não seria um problema, afinal, Einsenstein fez isso em seus filmes. Mas na fazenda do Hershel os figurantes não conversam, não usam a casa, não comem, eles só aparecem na hora de colocar alguém em problemas. Não foi o que aconteceu com a Sophia? Alguém se lembra dela na primeira temporada?

Passadas as implicações do massacre do celeiro, é que The Walking Dead traz uma agradável surpresa. Hershel, Gleen e Rick estão sentados, conversando e bebendo, quando dois forasteiros aparecem no bar. Toda cena parece ter saído de um filme de Tarantino, com seus  longos planos e tensão crescente. Durante a conversa, pequenos detalhes (a arma, a falta de educação do forasteiro, a forma com que Rick tenta desconversar ao ser perguntado da fazenda) vão dando a certeza de que aquela conversa não terminará bem, certeza confirmada pelos tiros de Rick. O crescendo de toda a cena é ótimo e muito crível, e matar dois possíveis personagens problemáticos foi uma atitude corajosa e muito cabível dentro da série, afinal, se situações limites em audiovisuais servem para revelar naturezas das pessoas envolvidas (é assim em qualquer audiovisual de sobrevivência, seja ele de zumbis ou não) seria estranho não encontrar humanos que enfrentem o grupo diretamente. Mesmo que futuramente essa cena não tenha uma relevância dentro da série, ela não soa gratuita como várias outras.

Depois da fraca primeira parte de temporada, a segunda começa muito bem com Nebraska. Agora é esperar que a qualidade se mantenha.

Nota: 8 de 10

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