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Crítica 2: Capitão América: O Primeiro Vingador

Crítica por: Pedro

O filme Capitão América: O Primeiro Vingador chegou nesta sexta-feira aos cinemas brasileiros, apresentando mais um herói inspirado nos quadrinhos da MARVEL e encerrando os filmes individuais sobre os heróis que estarão reunidos no próximo ano em Os Vingadores.

Não ser fã dos quadrinhos talvez tenha um benefício: ao contemplar uma adaptação nos cinemas, você se expõe a uma criação de um personagem novo e dessa forma é possível analisar se a obra cinematográfica consegue funcionar ou não nesta apresentação. Isto foi o que aconteceu com o Capitão América, que na nova adaptação dos estúdios Paramount não conseguiu ter um desempenho tão bom como herói do jeito que realmente merecia.

Dirigido por Joe Johnston, o longa tem uma narrativa muito boa com o roteiro de Christopher Markus e Stephen McFeely. O filme se inicia com a descoberta do escudo do heroi congelado numa grande calota polar. Após isso, o telespectador é levado a 1941, onde toda a história do Capitão América é revelada. A introdução do protagonista Steve Rogers consegue então dar uma base sólida para acompanharmos o crescimento do personagem.

Interpretado pelo Chris Evans (o Tocha Humana em Quarteto Fantástico), Steve Rogers sofre de vários problemas de saúde e é bastante franzino, tornando impossível sua entrada no exército américano. Após várias tentativas rejeitadas, ele recebe o convite para participar de uma experiência com um soro que transformam totalmente o seu organismo, transformando-o num superheroi cujo uniforme leva as cores da bandeira dos Estados Unidos.

O filme não entra fundo no patriotismo, mas coloca o personagem em algumas cenas como ícone nacional e símbolo das forças armadas, se apresentando em palcos e incentivando os militares. Há inclusive uma referência ao cartaz do Tio Sam apontando para a frente com a frase “Eu quero você para as forças dos Estados Unidos”, mas com o Capitão América estampado nele. Contudo, não há um tom realmente sério no enredo do filme. O foco principal é sempre caracterizar quem é o herói, deixando de lado qualquer sintoma adulto que o roteiro pudesse ter.

Chris Evans conseguiu incorporar bem o personagem, desde a sua versão magro e fraco (cujos efeitos especiais estão perfeitos) ao forte Steve Rogers vestindo uniforme azul com vermelho. Porém, o longa não deixa que o Capitão se destaque nas cenas de ação. Em meio a tantas explosões, armas e soldados lutando, o grande herói dos quadrinhos não consegue passar a imagem de que ele é a única chance para derrotar as forças do mal. Nas sequências em que confronta o vilão Caveira Vermelha (Hugo Weaving), o Capitão aparenta estar sempre com um pé atrás e demora a agir em diversas tomadas.

Steve Rogers deveria ser, sobretudo, um nerd inteligente. Após a ingestão do soro, sua inteligência somada aos músculos deveria dar a ele muito mais agilidade e iniciativa. Talvez o diretor Joe Johnston tenha se apegado demais aos efeitos visuais para impressionar o público e esquecido um pouco de deixar o protagonista assumir a face de herói. Pelo menos quanto aos efeitos visuais tudo saiu digno para um filme sobre o herói.

A fotografia assume um papel importante para caracterizar o clima psicológico em que o Capitão América está inserido. Um tom sépia caracterizou as cenas de época, que junto com a transformação de Steve Rogers no herói, modificou-se para um cinza azulado que permaneceu durante o resto do filme.
Diversos personagens secundários tiveram seus papeis muito bem retratados, como o futuro pai do Homem de Ferro, o Howard Stark (Dominic Cooper), a Peggy Carter (Hayley Atwell) e o Coronel Chester Phillips (Tommy Lee Jones). Os diálogos do roteiro não são tão complexos e principalmente os que acontecem entre Peggy e o Capitão América, que trazem um tom de ciúme mal elaborado. Porém, a base do herói consegue se estabelecer, já dando a deixa para sua aparição futura no próximo filme da MARVEL.

O Capitão América não teve todo o espaço para se mostrar o heroi da pátria, mas conseguiu cumprir o seu propósito de se apresentar como o defensor do bem contra o mal. A preocupação em mostrar a sua capacidade de força e combate funcionou perfeitamente para que ele apareça como um herói útil na S.H.I.E.L.D junto a Thor, Homem de Ferro, a Viúva Negra, Hulk e o Arqueiro Verde.

Após os créditos está o primeiro trailer do filme com todos os heróis juntos, Os Vingadores.

Nota: 8 de 10

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